
A crise toca a todos

De como decisões tomadas pelo povo não são necessariamente democráticas.
Governordem
e agora, rio?

A dignidade contra a chantagem
A chantagem contra greve
A maior greve de sempre foi uma manifestação impressionante de dignidade. A dignidade ergueu-se contra a narrativa auto-contraditória da situação que pretendia sustentar, ao mesmo tempo, que a greve geral não funcionaria porque seria uma acção minoritária que nada mudaria e que ela faria mal ao país porque interferiria com a produção nacional e fragilizar-nos-ia face aos mercados. A dignidade ergueu-se votando com os bolsos numa altura em que se contam os cêntimos para sobreviver. A dignidade ergueu-se pelo simples acto de fazer greve contra os patrões chantagistas. É que, neste país, a democracia é suspensa quando os dominantes se sentem ameaçados. É o mesmo estado de excepção que refaz as fronteiras para impedir manifestantes pacíficos de entrar e que inventa fronteiras no interior das manifestações para cercar os/as que imagina indesejáveis. Só que o tempo da greve é o do estado de excepção permanente tornando o direito à greve quase como uma miragem para muitos/as trabalhadores/as. E ainda assim a dignidade ergueu-se contra a chantagem.
O resto lê-se aqui.
entre marido e mulher, alguém meta a colher

Analisando este relatório, percebemos também que os homens mais violentos são aqueles com quem as vítimas têm uma relação de intimidade (60%), seguidos daqueles com quem já mantiveram uma relação (20%), estando, porém, agora deles separadas ou divorciadas.
Apesar do muito que foi feito nos últimos anos, nomeadamente a nível legislativo, muito há ainda para fazer. É preciso acabar com a impunidade e com os olhares, práticas e discursos desculpabilizadores. É necessário continuar com campanhas nacionais que denunciem a violência doméstica como crime, porque essas campanhas não só empoderam as mulheres e as ajudam a romper com este ciclo de violência, como constroem na sociedade a ideia urgente de tolerância zero para este tipo de crime. Precisamos, igualmente, de Juízos especializados em violência doméstica porque precisamos de tribunais capazes de compreender a amplitude deste crime, de modo que possam agilizar e adequar as suas decisões: grande parte das mulheres assassinadas já estava sinalizada como vítima de violência doméstica, o que significa que a protecção não foi eficaz ou não chegou a tempo. Basta olhar para o número de processos que chega ao fim e compará-lo com o número de queixas apresentadas, o número de condenações e o número de medidas de coacção aplicadas para percebermos a importância desta medida.
É por isso que está é uma batalha de toda a gente, de todos os homens e mulheres que não se resignam perante a desigualdade e violência. É de uma batalha civilizacional que se trata, de uma batalha que não aceita a desigualdade e a violência como argumento. Quem cala, consente; quem cala, desculpa. Elas somos todos e todas nós.
A ressaca
Da situação na Universidade Pública
amanhã, na praça da liberdade
Amanhã é dia de Greve Geral. É a primeira, destas assim mesmo gerais, em que participo. Eu, que sou trabalhadora do sector privado, deparo-me com a necessidade de ter de explicar que fazer greve não é necessariamente combater o «nosso» patrão. O que está em causa é muito mais do que a nossa relação laboral com o patrão que nos emprega. O que está em causa são as escolhas feitas pelo Governo, com o apoio dos partidos da oposição do dito arco governativo, e que estrangulam as nossas vidas. As razões para aderir à Greve são várias e diversificadas, de tal modo que todos e todas cabemos neste apelo.quanto custa a intimidação?
Anda por aí muita gente a falar dos custos da Greve Geral. Quando ouço e leio isso, só me apetece responder com estas imagens.
Se o objectivo é intimidar para melhor desmobilizar, lamento, mas comigo não funciona. Amanhã faço greve e a partir das 14h30 estarei no Porto, na Praça da Liberdade, para dizer tudo o que trago entalado na garganta.
Como suspender o direito à manifestação em bom português

Serviços e manif: do SEF das manifs aos serviços secretos do “Público”
A manifestação de ontem inaugurou um serviço policial: o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras das manifestações. Do lado de fora das fronteiras, ficaram os elementos perigosos e indesejáveis. E se o Black Bloc falhou à convocatória do tal senhor Anes do tal “Observatório de Segurança”, rapidamente os serviços secretos do jornal Público descobriram o novo plano dos violentos. O agente secreto Paulo Moura não revelou as suas fontes mas não hesitou a escrever no seu texto informativo: “o plano era espalharem-se na multidão e começarem a provocar os polícias, na esperança de que estes ripostassem indiscriminadamente contra a manifestação. Um cenário de a polícia a carregar sobre os velhos militantes do PCP era provavelmente o sonho mais selvagem dos elementos anarquistas.”
Tal como o Block Bloc falhou, também este plano secreto foi gorado. Mas ao agente secreto não bastou revelar estes planos, ele apresenta-nos ainda a sua verdade, armado que está com a sua capacidade psicanalítica. Conhecedor profundo dos sonhos selvagens dos anarquistas, talvez imagine agora aquela “centena” desiludida de anarcas (desiludida mas mantendo como é óbvio a capacidade selvagem de sonhar selvagemmente que caracteriza os anarquistas) depois de regressada a casa masturbando-se ao pensar em cargas policiais sobre velhinhos do PC.
Os vários serviços secretos da República terão triunfado desta feita, mas não será dessa derrota e da repressão que se alimentará essa perversa libido anarquista?
Estratégias de manipulação

O tpc para este fim-de-semana é simples. É aplicar as dez estratégias de manipulação mediática de Noam Chomsky (o texto circula por aí como alguns/algumas já devem ter reparado) à cobertura noticiosa sobre a cimeira da NATO. Quem quiser poderá responder à segunda chamada aplicando-as à cobertura noticiosa sobre a GREVE GERAL.
Já agora, recordo que estas dez estratégias são: a da distracção; a de criar problemas e depois oferecer soluções; a da gradualidade; a de diferir; a de dirigir-se ao público como crianças; a de utilização do aspecto emocional; a de manter o público na ignorância; a de estimular a ser complacente com a mediocridade; a de reforçar ao auto-culpabilidade; a de conhecer os indivíduos melhor do que eles próprios se conhecem.
Naturalmente nem todas se produzem num caso concreto uma vez que se tratam sobretudo de estratégias de fundo. Mas é importante apresentar exemplos concretos, identificar aqueles que acontecem mais frequentemente e fazer um comentário crítico sobre se este modelo de estratégias de manipulação se cola ou não ao exemplo concreto estudado e à nossa percepção da acção dos meios de comunicação de massas sobre a sua audiência. Será importante ainda procurar identificar outras estratégias de manipulação que possam completar/corrigir este quadro.
Até já!
Dia 24 fechamos os livros
«A greve geral do próximo dia 24 de Novembro é um momento privilegiado para questionar as respostas políticas, manifestamente desequilibradas, a um quadro económico de crise. Mas a greve pode assinalar também uma insatisfação mais difusa, prolongada, que atinge a relação das pessoas com o seu trabalho, mas que cada vez mais invade outras dimensões do quotidiano. A imposição de uma austeridade assimétrica, que protege os mais fortes, restringe progressivamente a autonomia pessoal e a possibilidade de escolha, corrói as capacidades de definir projectos de vida individuais e colectivos, destrói direitos que constituem a base elementar de uma sociedade minimamente justa.É indiscutível que em Portugal se tem vindo a fazer um esforço de investimento na ciência. Todas as pessoas envolvidas na criação científica não deixam, no entanto, de ser afectadas por dinâmicas sociais mais alargadas que, atingido a maioria da população, se traduzem na erosão progressiva de direitos e na imposição de lógicas de organização de trabalho que assentam numa progressiva precariedade. Tal paradigma, sempre apresentado como uma inevitabilidade, constitui uma forte ameaça à autonomia do conhecimento científico.
Etapa de uma resposta colectiva ao futuro de inevitabilidades que nos é proposto, a greve assinala também a visível necessidade de criar formas de debate que permitam pensar modos mais eficazes de enfrentar estes problemas. Por isso, dia 24 fazemos greve.»
Assina a petição aqui.
A associação sem-abrigo e a capital dos arrumadores
A “Associação Volta a Casa” das Caldas da Rainha, que serve refeições a sem-abrigo, ficou sem abrigo para servir estas refeições. A Câmara Municipal deste concelho decidiu correr com ela das instalações porque, segundo o presidente da Câmara local, a instituição “está a transformar-se num problema e não numa solução.”
Problema porquê? Aparentemente porque “atraem à cidade dezenas de arrumadores de outros locais do país” (a notícia cita indirectamente a PSP e o governador civil de Leiria e directamente o presidente da Câmara que chega a afirmar que há arrumadores do Porto que vêm para as Caldas à conta destas refeições).
Ou seja, ao que parece o problema é a associação cumprir aquilo para o qual foi criada, é haver muito quem recorra e sobretudo haver na Câmara a ideia mirífica de que devido a uma associação prestar solidariedade em forma de refeições a sua cidade se está a transformar numa capital dos arrumadores. Sendo que o raciocínio do Presidente da Câmara implica que todos os que recebem esta ajuda serão toxicodependentes e que todos os toxicodependentes são criminosos, dizendo o mesmo: “ninguém está contra a ajuda humanitária às pessoas, mas alguém quer mais instabilidade nas Caldas? Querem mais assaltos, querem mais roubos por esticão?”
Será que fechar estas portas serve para resolver a criminalidade ou a exclusão? Será que estigmatizar ainda mais a pobreza contribui melhora a vida de alguém?
Quem leva estes fantasmas destas cabeças?
A NATO, o Facebook e o "Bloco Negro" do centrão
Ontem escrevi isto para o esquerda.net: "A NATO está a chegar. Vai ocupar parte da cidade de Lisboa e fechar as fronteiras do país, dando uma amostra cara do securitismo atlanticista. O tempo nunca é de vacas magras para os senhores da guerra e tal como lhes pagamos os instrumentos das suas guerras também lhes pagamos as cimeiras.A abrir caminho, barricou-se na opinião pública um discurso sobre o perigo dos manifestantes violentos. Um bloco negro de jornalistas, comentadores e de “especialistas em segurança”, tantas vezes omisso relativamente aos interesses económicos por detrás das guerras e aos seus crimes, jura que os vândalos se irão manifestar contra a NATO, procurando assim juntar no mesmo saco todas as formas de protesto. Este bloco fica à espera ansiosamente que qualquer pedrada justifique o seu discurso. E prepara-se para aumentar o impacto dessa pedrada, até a tornar num míssil das hordas bárbaras capaz de destruir todo o nosso modo de vida, assim como está disposto a minimizar, por exemplo, a morte de civis nas guerras da NATO e a tortura contra prisioneiros de guerra. O seu bom senso pseudo-pacifista é selectivo conforme as regiões do mundo e não se incomoda com a violência de Estado apenas com a das ruas." (...)
Hoje li isto no DN:"O perfil da Esquerda Anti-Capitalista (Madrid) no Facebook foi cancelado depois do partido ter publicado uma convocatória para a participação na Contra-Cimeira da NATO em Lisboa, que decorre este mês na capital portuguesa. (...)
Em comunicado, publicado na sua página na Internet, o partido explica que a decisão "arbitrária" de fechar a página "só pode ser entendida como uma forma de cortar a liberdade de expressão e o uso aberto desta ferramenta informática"."
We were gonna take it all and throw it all away
Doenças de nervos são doenças de ricos
A ministra da saúde anda a braços com a saúde mental: prescrições exageradas, médicos mal formados, despesistas e corruptos. E logo agora que o país está em crise! Num país hiperdoente e hipermedicado (o que por si só faria sentido) não nos cansamos de ouvir que “já não se pode estar triste”, há países mais pobres e mais felizes, a especificidade de Portugal, o fado, a saudade...
Convinha antes de mais perceber porque é 23% dos portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica no último ano, se estão a ser mal diagnosticados, mal medicados, se os médicos são excessivamente zelosos ou simplesmente uma cambada de burlões.
Depois de ter revogado a portaria dos psicofármacos, Ana Jorge afirmou que ia “definir mecanismos reguladores” que beneficiassem quem realmente precisa, os doentes mais pobres e famintos, assim já a ver-se a barriga de kwashiorkor. Mas lembrando-se da frase da melhor poeta cá do burgo “Vinte anos de psiquiatria deixaram-me com mais 40 kg e uma distensão abdominal que me dá lugar sentado em todos os transportes públicos”, Ana Jorge resolveu reconsiderar e criar excepções para os doentes mentais graves, se assistidos no serviços público e “já" para o próximo ano.
Se o principal problema são as prescrições emotivas face às “prescrições racionais”, porque não implementar de vez a prescrição por princípio activo (ou de uma forma mais pomposa, por denominação comum internacional)? E longe de patentes e receitas trancadas à chave, criar um concurso prévio de modo a que ao princípio activo prescrito corresponda um só medicamento. Reproduzindo o que acontece nas farmácias hospitalares, evitavam-se as diferenças de biodisponibilidade que ocorrem mesmo quando se mantém o princípio activo e se muda de marca, a escolha subjectiva entre uma imensidão de fármacos equivalentes com preços muito variáveis, o problemas da mudança de caixas, paletes, cores ou sabores.
um espectáculo maravilhoso de se ver
«Zarvan Mandale não tinha aquilo a que chamamos grandes orelhas. As suas orelhas eram normais. Mas era uma pessoa que amuava muito facilmente. Quando Nadav Schiff lhe enfiou uma faca no peito ele, como seria de esperar, amuou um pouco.A birra

Andar aos toques

Um seguro automóvel que pensa nas mulheres porque isto de ser mulher é viver numa azáfama constante: a maquilhagem, os rolos, os saltos. A gente é muito distraída, umas cabeças de vento. Numa ida ao shopping, não há tempo para pensar se o carro ficou fechado, travado, estacionado, se bebe gasóleo, gasolina ou pepsi-cola. Uma canseira. Não me venham dizer que é cultural, lateralização cerebral, instinto maternal. É estrutural. “É de gaja”.
Eu, do alto das minhas 45 lições de condução, sou contra o plano cor-de-rosa-toques. É claramente insuficiente. Quero um seguro contra todos os riscos, arranhões ou estaladelas de verniz. Melhor, arranjem-me um motorista. Fica-nos mais em conta.
paradoxos
A Europa civilizada e os EUA bárbaros
O princípio do pagante mandante
O princípio enuncia-se facilmente: quem paga manda. Dito de outra forma poderia ser: manda quem paga e obedece quem deve. E quem manda? O mercado, o mercado, o mercado.
A estratégia para remediar a situação também se enuncia facilmente: finja-se. Daí que fosse mesmo melhor suspender a democracia por alguns meses, colocar actores no Parlamento e fingir que todos concordamos. Assim, o poderoso e parolo mercado cairia na esparrela e o país salvar-se-ia da crise. No meio disto tudo, já que já sabíamos que se considerava a subserviência a estes mandantes como a via única, a novidade é apresentar-se a democracia como um pormenor irritante do ponto de vista de um qualquer professor de finanças.
A política cavaquista é fingimento. E chega a fingir que é fingimento a tendência autoritária que deveras sente.
Apelo conjunto dos movimentos de trabalhadores precários à Greve Geral
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É isto que aparece quando clico numa das redes sociais da página do candidato Cavaco Silva. Pela conversa, percebe-se logo que é o Fernando Lima que está a gerir esta página.
Somos muito especiais
Aqui há atrasado tive a oportunidade de mostrar a tromba dos funcionários da Minoria Relativa no feicebuque. Hoje, dia de festa, faço-o em modo Fátima Campos Ferreira: para os portugueses que estão lá em casa. É uma clarificação necessária: quem somos e ao que vimos. Devo dizer-vos que, embora birrentos, não temos tendência para a ordinarice nem para fugir ao debate:
Pelo contrário, dispomos de tecnologias foucaultianas para fazer calar as vozes mais excitadinhas que nos têm dado o prazer da sua companhia:
:)Viva a Minoria!
ladrar


