Futebol e a paz entre os povos

Agora que os espanhóis mostraram que têm mau íntimo (que, se pensarmos na urgente situação de Olivença, já não é novidade nenhuma) ao derrotarem a nossa selecção, resta-nos uma decisão: quem devemos apoiar? Os arrogantes dos franceses e os irritantes dos italianos já nos fizeram um favor em ir de vela. Resta-nos esperar que os estúpidos dos alemães percam com o mal menor que é a Argentina e que os brasileiros, esses nossos irmãos quando têm residência no Brasil, ganhem esta porcaria.

G20/Toronto: Aonde é que pára a polícia?


O fotojornalista Joe Wenkoff acompanhou uma centena de encapuzados no cortejo dos "black bloc" que durante hora e meia atravessou tranquilamente 24 quarteirões do centro de Toronto, partindo montras e incendiando alguns carros de polícia "plantados" nos cruzamentos. Essas foram as imagens que chegaram às televisões de todo o mundo para justificar a repressão policial que se seguiu sobre a grande maioria dos manifestantes. Com 20 mil polícias na cidade e quase 800 milhões de euros gastos na operação de segurança da cimeira, Wenkoff questiona-se sobre a cumplicidade policial - nalguns casos, bem activa - com os protagonistas das melhores fotografias que saem destas cimeiras.

Absentismo escolar? Suspende-se o abono de família.

Desta o nosso Bloco central ainda não se lembrou mas não deve faltar muito.

"Não vivemos acima das nossas possibilidades"

Vale a pena ler este artigo de Daniel Oliveira sobre um Estudo coordenado pelo ISCTE divulgado ontem e revelando, entre outras coisas, que o que nos permite não ter uma taxa de pobreza de 40% (é actualmente de 20%) são, pasmem-se, os apoios sociais.

Será que o Governo e, já agora, o "PPD PSD" leram este e outros estudos? O de Alfredo Bruto da Costa Um olhar sobre a pobreza , por exemplo, também lhes dava jeito e permitiria já agora ao CDS deixar de (só) ser, se é que consegue, demagógico e intelectualmente desonesto quando fala à boca cheia do Rendimento Mínimo. Mmhh...Não me parece.

Sim, esse mesmo governo que negoceia e subscreve uma Estratégia UE 2020 em que os Estados Membros se comprometem a reduzir de 25% o número de europeus/eias vivendo abaixo dos limiares de pobreza nacionais. Não estou bem a ver como pretendem lá chegar, se bem que ainda falta muito para 2020 não é? Na verdade, também não parecem ter grande noção que o salário médio em Portugal é de menos de 680 euros. Ah , e que estamos em 9º lugar no ranking europeu da pobreza. E que estamos no TOP 3 dos países mais desiguais da UE. Que apenas 9% dos/as nossos/as empresários/as têm uma licenciatura. Que 65% dos/as trabalhadores/as por conta de outrém tem um nível de instrução inferior ao ensino primário ou secundário inferior. Essas coisas que o António Barreto, por exemplo, sempre disponível para botar faladura poderia com o seu Retrato Social de Portugal actualizado dizer-lhes. Enfim, minudências ...

Fica aqui um excerto:

Este estudo diz nos duas coisas:
A primeira é evidente para quem conheça o País: os portugueses não vivem acima das suas possibilidades. Vivem abaixo delas. Há uma minoria, isso sim, que garante para si a quase totalidade dos recursos públicos e privados. Somos, como se sabe, o País mais desigual da Europa. Temos dos gestores mais bem pagos e os trabalhadores que menos recebem. Somos desiguais na distribuição do salário, do conhecimento, da saúde, da justiça. E essa desigualdade é o nosso problema estrutural. É esse o nosso défice. Ele cria problemas económicos - deixando de fora do mercado interno uma imensa massa de pessoas -, orçamentais - deixando muitos excluídos dependentes do apoio do Estado -, sociais, culturais e políticos.


Adenda: já agora também vale a pena ler esta notícia sobre o mesmo estudo e esta.

Honduras: 1 ano depois

G20 em Toronto: Mais imagens que não passam no telejornal


Reportagem da Real News Network sobre a repressão policial aos manifestantes e jornalistas na cidade que acolheu a reunião do G20.

Independência ou morte!


"Artistas independentes são quem mais vai sofrer com os cortes", diz Gabriela Canavilhas. Na verdade, se fossem independentes, não sofreriam por aí além com os cortes, parece-me. Não consta que o Tony Carreira ou a TVI vão sofrer grande coisa com os cortes orçamentais. Não quero com isto dizer que os produtores culturais se têm que vender e que todos os grupos de teatro se têm que dedicar à revista. Ainda assim, um planeamento cuidado de actividades, uma gestão adequada de dinheiro e espaços aliada a boas práticas de marketing e publicidade poderiam ajudar muitos produtores culturais demasiado imaculados para se dedicarem a essas coisas mundanas. É que posições irredutíveis de manutenção de uma pureza criativa que despreza os mecanismos económicos da cultura pode ser muito cool mas, convenhamos, esconde muitas vezes posições de "eu sou demasiado bom para este país". E deve este desprezo pelo público continuar a ser financiado pelo Estado?

Flor do Deserto - a Mutilação Genital Feminina em filme



Fui ontem à antestreia do filme A Flor do Deserto. Este filme, em exibição por toda a Europa, e, a partir de hoje, nos cinemas em Portugal, baseia-se no best seller de Waris Dirie em que a autora conta a sua história: nascida na Somália, numa família vivendo em pobreza extrema, excisada aos 5 anos, vendida para casar aos 13. Waris foge, quase morre, recorre à sua avó que pouco mais faz do que colocar Waris a trabalhar, sob exploração, junto de diplomatas somálios em Londres. Com o regresso dos/as diplomatas à Somália Waris fica na rua sem qualquer tipo de rede de apoio. Não entrando muito em pormenores, a história de Waris é conhecida: acaba por se tornar numa supermodelo e, simultaneamente, usa a sua notoriedade para contar a sua história e alertar para o grave problema de saúde pública, de violência contra as mulheres, de atentado aos direitos humanos que constitui a MGF, sendo escolhida para Embaixadora das Nações Unidas.

É um filme forte que ao mesmo tempo pode parecer, por vezes, demasiado "leve" no tratamento desta temática e das outras que são abordadas (tráfico, uso do corpo das mulheres, situação das/os refugiados/as, etc), contingências de um filme que quer chegar ao grande público. Ainda assim, claramente, recomendo. Estar nos circuitos da grande distribuição e querer chegar ao "grande público", baseando-se num livro autobiográfico, é também a sua mais valia: porque informa, alerta, sensibiliza quem possivélmente não o estava e para quem estava, ou pensava estar, volta a reforçar o sentimento de que é urgente (ainda que saibamos muito díficil) acabar com esta prática.

E salienta dados que nenhum/a de nós deve esquecer: 6000 crianças/jovens, por dia, são vítimas desta prática. 130 milhões por ano...

E se estivessem quietinhos?

Estava a preparar um secante post sobre a forma como a Esquerda reage pavlovianamente a todas as notícias de violência policial e, mais precisamente, sobre a forma como, à bruta, tomam o todo pela parte, quando visito o blog da Plataforma Contra a Violência Policial e vejo um link para "Fotos de Agredidas/os". É, sem dúvida, a marca da seriedade.

Para poupar trabalho, posso avançar já que não, não incorro no mesmo erro que aponto em cima. É precisamente por condenar a violência policial (até porque, embora não de forma física, já fui alvo dela) que alguns argumentos me parecem perfeitamente disparatados.

E pronto, espero que a violência deste vídeo ofenda menos que o sexo de outros.


Saramago? Qual?

Nunca liguei muito ao José Saramago-escritor.
Adorava o José Saramago-político.
Gostava assim-assim do José Saramago pessoa.
Tinha uma opinião francamente positiva em relação ao José Saramago homem.
O José Saramago-jardineiro era um desastrado.
O José Saramago-contador-de-anedotas-em-castelhano era um prato!
Era impecável o José Saramago-vizinho.
O José Saramago-colega-de-quarto era um desleixado inacreditável.
O José Saramago-marido era muito atencioso mas deixava sempre o tampo da sanita levantado.

Com que então, quiseram apoiar o Manuel Alegre né?

Pode ser só coincidência mas...na verdade, não me parece :) Mário Soares foi, ainda bem antes das legislativas, um acérrimo , ou quase vá, defensor de José Socrátes e das políticas levadas a cabo pelo seu Governo . Ora, vir agora com declarações tão certeiras, cheira-me a vingançazinha :)

“essas medidas de ataque ao estado social, não vão resolver o problema e vão conduzir a uma outra crise.”
O ex-Presidente da República diz estar de acordo com o desagrado manifestado pelas centrais sindicais e acusa o Governo de estar a privilegiar políticas neo-liberais que só protegem os ricos.

Com que então quiseram, ainda que tarde e a más horas, apoiar o Manuel Alegre não é? Não perdem pela demora..:)

Agarram'as mamas!

A ideia não é nova nem surpreende ninguém. O desígnio divino de arrasar com o Estado social vem de trás e é uma demanda em forma de corrida em que PS e PSD se acotovelam à Ben-Hur para ver quem chega primeiro. Acontece que Pedro Passos Coelho, neste particular, poderia roubar bem mais do que uma pose e uma frase a Barack Obama que se bateu pelo alargamento da prestação dos cuidados de saúde nos EUA. Ele (PPC) vai dizendo que tudo vai ficar melhor. Eu vou-lhe dizendo: "Agarram'as mamas!".


Apoios sociais? Apoios quê? Mmhh...Não. Não conheço.

Leiam o Decreto de Lei com que o Governo nos presenteou hoje... Aquele que não faz nada mais nada menos do que cortar em tudo o que é apoio social a eito, assim "Zás" que é para doer tudo de uma só vez.
São eles...vamos lá então (respirem fundo):

1 — O presente decreto -lei estabelece as regras para a determinação dos rendimentos, composição do agregado familiar e capitação dos rendimentos do agregado familiar para a verificação das condições de recursos a ter em conta no reconhecimento e manutenção do direito às seguintes prestações dos subsistemas de protecção familiar e de solidariedade:
a) Prestações por encargos familiares;
b) Rendimento social de inserção;
c) Subsídio social de desemprego;
d) Subsídios sociais no âmbito da parentalidade.
Calma, que ainda não acabou..
2 — As regras previstas no presente decreto -lei são ainda aplicáveis aos seguintes apoios sociais ou subsídios, quando sujeitos a condição de recursos:
a) Apoios no âmbito da acção social escolar e da acção social no ensino superior público e não público;
b) Comparticipação de medicamentos e pagamento de taxas moderadoras;
c) Pagamento das prestações de alimentos, no âmbito do Fundo de Garantia de Alimentos a Menores;
d) Comparticipação da segurança social aos utentes das unidades de média duração e reabilitação e aos utentes das unidades longa duração e manutenção, no âmbito da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados;
e) Apoios sociais à habitação atribuídos pelo Estado quando tal atribuição dependa da verificação da condição de recursos dos beneficiários;
f) Outros apoios sociais ou subsídios atribuídos pelos serviços da administração central do Estado, qualquer que seja a sua natureza, previstos em actos legislativos
ou regulamentares
(Página 2)
E para quem conseguir ler este documento até ao fim, vale a pena ter em atenção a retórica utilizada..
E isto no mesmo dia em que tã-rã Portugal é retratado pela Eurostat como......"o Nono País mais pobre da União Europeia"
Este Governo parece empenhadíssimo em chegarmos ao primeiro lugar! Como é que é possivel..!

Mais violência nas esquadras, agora na Amadora

A ler e divulgar este texto da Ana Barradas sobre mais um caso de violência policial, ocorrido na madrugada de domingo. Desta vez, as vítimas da noite de pesadelo - que passou pelas esquadras da Mina, do Casal da Boba e de novo na Mina - foram os rappers LBC e Hezbollah, que no ano passado falaram com o Nuno Ramos de Almeida nesta reportagem aqui em baixo (ao minuto 1:30m e 7:00m, respectivamente).

Faites vos jeux, rien ne va plus

O porreirismo e as goleadas levam-me aos arames por uma sére de factores. Um dos mais lesivos passa por ver cagões deste clube de labregos endinheirados vir à tona com aquele paleio da mini e dos tremoços, como quem desce à terra uma vez por ano e... adora.

«Escrevo este texto de Dusseldorf.»

Ai sim? Eu escrevo da casa de banho, que tenho wireless.