Silly social horror show

Francisco Van Zeller fala em "nós precários" para defender despedimentos na função pública. Este ano temos uma silly season no halloween. Para celebrar o horror social.

O sorriso de Borges



"Se toda a gente soubesse o que se está a fazer não haveria mercado". Borges sorri várias vezes, tenta esconder-se no jargão técnico e na suposta respeitabilidade da sua "indústria" de hedge funds. Defende o privilégio e o segredo partilhado pelos amigos. Quando notam a imoralidade responde com "oportunidades de mercado". É para elas que trabalha. Ainda hoje. Se toda a gente soubesse para quem eles trabalham Borges não sorriria.

(no dia em que apregoa, qual varina dos mercados, que a dívida portuguesa é linda: lá está, oportunidades de mercado)

"Que se Lixe a Troika" teve 16 minutos de Prós e Contras

Nuno Ramos de Almeida, Joana Manuel e Paulo Raposo, três dos promotores da manifestação de 15 de setembro, participaram no programa Prós e Contras sobre o Orçamento de Estado para 2013. Num programa de duas horas, puderam falar 16 minutos.

Crises...


2014. Estamos no auge da crise. À beira da bancarrota, o governo é finalmente obrigado a cortar em quem mais sofre. Assim, o presidente do grupo parlamentar do PS sofre a suprema humilhação de ter usar um Clio como carro pago pelos contribuintes.
Contudo, Paulo Campos, de volta ao governo, consegue finalmente deixar de necessitar da ajuda dos pais. Empreendedor, consegue negociar uma PPP para lhe pagar um salário decente. Um negócio SCUT, sem custos para o utilizador, claro.

A vingança breve do Governo contra o 'Público'

À hora a que os trabalhadores do 'Público' decidiam em plenário entrar em greve contra os despedimentos, estava agendada uma audição da Comissão Parlamentar de Saúde com o ministro Paulo Macedo. Os assessores de imprensa do Governo enviaram à redação o que Macedo ia dizer aos deputados, mas esqueceram-se de avisar que a audição (na coluna à esquerda) fora entretanto cancelada por causa do Conselho de Ministros...

"Não voltes a imitar o Cavaco!"

Bancada do PSD assume que é paga pela troika!

Será o RDA69 a fonte de todos os males?

O RDA69 esclarece que não. Uma resposta importante à criminalização do protesto e à invenção descabida de perigosos radicais por parte dos meios de comunicação social.

Se já ultrapassámos os limites dos sacrifícios, porquê parar agora?

Rocky Balboa contra os espartanos


Rocky Balboa é um underdog. (...)  Rocky apanha, apanha, apanha até aos limites da capacidade humana e depois faz despertar em si uma força interna avassaladora. Por isso, a história das vitórias e derrotas de Rocky é o exemplo acabado do conto de fadas desportivo contemporâneo.
Assistindo aos Jogos Olímpicos, parece-nos natural deixar-nos embalar por essa mesma nostalgia de conto de fadas ou então sentirmo-nos desiludidos por já não haver boas estórias de underdogs. Talvez os tempos não estejam para isso. Talvez seja só a nossa atenção dispersa e memória selectiva que nos atraiçoa. Mas, olhos postos no jogo de basquetebol, sonha-se secretamente que a selecção da Nigéria derrote as estrelas da NBA.(...)
Como é óbvio, a atracção pelo underdog tem implicações políticas. Fosse o fenómeno transparente, universal e absoluto e a luta pela hegemonia política dependeria em grande medida de conseguir fazer passar o seu lado por underdog. Mas não será assim tão fácil. Houvesse uma ligação directa entre a atracção pelos underdogs desportivos e o activismo social e político feito do lado dos mais desfavorecidos e o mundo seria diferente. (...)
talvez o “underdogismo” fique reduzido mais a um pecadilho privado do que a uma virtude pública. Talvez seja apenas uma ingenuidade que não acaba nem sequer com a consciência que os contos de fadas não têm bela sem senão, que está sempre ao virar da esquina do salutar apoio dos underdogs a menos salutar cedência à lógica da competição e à construção de heróis, que a imagem simpática do nosso underdog é um pequeno mito e que muitas vezes, na realidade, este é apenas um topdog falhado.
O romantismo da atracção pelo underdog, por mais ingénuo que seja ou por mais cantos obscuros que possa insinuar, é ainda assim mais simpático que outras formas de se colocar face ao desfavorecido. (...)
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Rocky Balboa é um underdog. Mas a sua estória de underdog não conseguiu escapar às malhas tristes da propaganda nacionalista que invade o desporto. O conto de fadas desportivo conta. E, afinal de contas, Rocky é um herói americano. É assim que no quarto filme da saga é intérprete de uma narrativa que ainda hoje parece ser a que enquadra tantos olhares sobre os jogos olímpicos.
De um lado, o esforço individual, o sonho americano tornado olímpico. O querer que é poder. A Psicologia positiva do heroísmo e o individualismo do herói. Do outro lado, a máquina colectiva da potência estranha que maltrata as suas crianças para obter resultados, sempre suspeita de utilizar o doping em nome do orgulho nacional. Um colectivismo sem rosto e uma ameaça que paira.
Onde ontem era a URSS, hoje é a China. E, entre o fascínio e a repulsa, conta-se outra vez a história de Atenas e a sua democracia contra Esparta e a sua disciplina férrea. E, apesar de tudo, os espartanos eram gregos. Já os chineses…
Improvável ateniense, Rocky Balboa emerge novamente como o símbolo desejado para derrotar o frio militarismo. A lógica do underdog parece acabar sobredeterminada pela narrativa da democracia ocidental. De medida de pequenas ou grandes vitórias de pequenas ou grandes nações ou de máquina de fazer estórias de underdogs, as olimpíadas transformam-se noutra coisa, numa fábrica de medos.
Rocky está sozinho contra os espartanos de todos os tempos. Apanhando, apanhando, apanhando. Para dar luta, necessitará de ir buscar aquela força interna. Encontra-la-á no Rocky símbolo do american way of life ou no underdog?

Publicado no Correio da Cidadania

Texto completo aqui ou aqui.

Slavoj Zizek: "A Syriza é a única oportunidade para a Europa"

Efeito suspensório

A escalada de radicalismo suspensório por parte dos políticos do sistema não pára. Primeiro, Ferreira Leite propõe suspender a democracia. Depois, mais radical ainda, Mario Monti propõe suspender o futebol. O próximo é capaz de propor suspender o capitalismo, não?

Lagarde e a moralização da pobreza

Uma das mais hediondas heranças do pensamento cristão para o pensamento capitalista é, sem dúvida, a moralização da pobreza.

Os exemplos estão por todo o lado, das discussões sobre a pobreza de Cristo e a igreja em 'O nome da rosa', de Umberto Eco, até ao (para mim) mais asqueroso tique machista do afastamento ostensivo das mulheres do trabalho em tempos de crise, materializados na blague do João César Monteiro 'Não gastes tudo em freiras...':  são, estritamente, questões de poder.

Se os pobres e as pobres do mundo tomam consciência da sua condição, poderão rebelar-se. Tomarão para si - com a habilidade possível aos excluídos e excluídas - as palavras dos velhos economistas da esquerda; à sua maneira, interpretarão 'as escrituras', porão em causa as clivagens que colocam famílias inteiras como peões no jogo sujo dos grupos económicos que controlam os seus postos de trabalho, os supermercados, os serviços de saúde privados, os seguros.

Este processo de tomada de consciência já é incontrolável por parte dos Estados, dos partidos, das indecentes troikas entre ministros e espiões e televisões, do FMI e da UE, por isso, em desespero de causa, Christine Lagarde vem tentar moralizar a pobreza: pobreza boa, aceitável, preocupante é aquela das crianças ao longo do Niger.

Ainda me lembro de um tempo - que, tristemente, acabou por ser pasto e repasto para a geração de um outro tipo de hipocrisia ao estilo 'The greatest love of all' - em que a pobreza em África sub-sahariana era considerada pornográfica, o espelho menos lisonjeiro da ganância imperialista e capitalista, um exemplo a não ser citado ou usado como termo de comparação em situação alguma, uma desgraça que denunciava todos os países, sem excepção, imperialistas ou não.

Com esta intervenção, Lagarde e o seu bando mostram de onde vem esta ideia de que, para prosperar, será necessário a Portugal e aos outros 'PIIGS' colocar os salários e as políticas laborais ao nível de países como a China. Vem desta moral estigmatizante, humilhante e inaceitável, por parte da Grécia, de Portugal ou seja de quem for.

Leia-se aqui a entrevista de Lagarde ao The Guardian.

O Contrato

Até sempre, Miguel!