Com o que se importam os vizinhos

Silly season

Simplificar a Lei das Armas para não afastar os caçadores.

Pela mão de Jô: Boaventura Sousa Santos canta rap ao minuto 2:45

Sabia que...

... este empata-fodas, de seu nome Luís Osório, é também inimigo do povo e está a escrever a biografia autorizada do Jardim Gonçalves?

"Este homem compreende o povo, porque ele vende o povo"


Mendes Bota pediu ontem aos algarvios para confiarem o país a um liberal de Massamá.

No próximo episódio, Sócrates e Passos Coelho vão matar o Kenny!!!



A verdade é esta: já ninguém respeita os reformados!

Eis o vídeo que desfaz todas as dúvidas sobre a posição do Iniesta antes de receber o passe para o golo na final da África do Sul.

Não gosto disto!


Parece que o Facebook vai mesmo duplicar a capacidade da sua gigantesca central de dados e continuará a usar as centrais a carvão para produzir a energia eléctrica consumida. Os apelos de quase meio milhão de utilizadores para que a empresa que gere esta rede social abandone a fonte energia fóssil que mais contribui para as emissões de carbono não foram ouvidos.

A Greenpeace tinha divulgado há meses um relatório sobre a pegada ecológica do sistema de "cloud-based computing", em que os dados e aplicações estão armazenados longe do utilizador. Como a previsão de crescimento da plataforma é de quadruplicar nos próximos 10 anos, os ambientalistas dizem que "é essencial, tanto para o ambiente como para a viabilidade financeira desta indústria, que o Facebook e outras grandes companhias como a Google e a Microsoft construam uma 'nuvem verde' e não uma 'nuvem castanha' que aumente a procura pelo carvão".

Vê aqui o que não passa na TVI!


É desta! Eis o panfleto em que se informa, denuncia e procura mobilizar as pessoas para elas também mandarem uma carta à TVI por se recusar a passar uma cena de afectividade entre um casal de gays que tinha filmado.

Fica aqui a carta que várias associações (Amplos, ATTAC, Ilga Portugal, Não te prives, Panteras Rosas, PolyPortugal, PortugalGay, Rede Ex Aequo, Rede de Jovens para a Igualdade, UMAR) enviaram e que vocês também podem. Bora?

Carta Aberta
Ao Director-Geral e Administrador da TVI
Ao Director-Geral da Plural Portugal
À Administração da Média Capital

Assunto: Cancelamento, pela TVI, de uma cena de afectividade entre casal de namorados, na série "Morangos com Açúcar"

Exmo. Sr. Bernardo Bairrão,
Exmo. Sr. André Cerqueira
Exma. Sr.ª Ana Esteves,

Tomámos conhecimento, através de notícia publicada no Jornal de Notícias a 19 de Julho de 2010, da decisão de cancelar a emissão de uma cena de afectividade protagonizada por um casal de rapazes na série "Morangos com Açúcar". Segundo informa a mesma fonte, a cena, que inclui um beijo entre os dois rapazes, foi gravada pelos autores da série e rejeitada pela direcção de programas da TVI. Procuramos com a presente carta obter um esclarecimento quanto ao porquê desta decisão e alertar para o impacto extremamente negativo da mesma.

Entendemos não existir justificação para a não emissão de qualquer conteúdo que expresse a diversidade de afectos e relacionamentos que existem na sociedade, tendo em conta os critérios avaliados para o horário e público a que se destina a série, mas sempre com respeito pelo compromisso de igualdade consagrado na Constituição da República Portuguesa (Art. 13º), no Tratado da União Europeia (Art. 10º) e na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (Art. 21º), que no caso aqui apresentado se relaciona directamente com um tratamento desigual baseado na orientação sexual das personagens.

Qual é a gravidade desta infracção? Tratando-se de uma série de jovens para jovens, em emissão desde 2003, com um público substancial que encontra nela um retrato das vidas de sucesso, complicações, dramas e conquistas da juventude portuguesa, compreendemos ser importante que o desenvolver da série “Morangos com Açúcar” seja inclusivo e se estenda sem discriminações à realidade de jovens lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros (LGBT) em Portugal.

A visibilidade positiva e a informação correcta sobre orientação sexual e identidade de género são aspectos cruciais na desmistificação destes assuntos, na educação de mentalidades e no desenvolver de uma personalidade e capacidades sãs entre jovens com uma orientação sexual minoritária, que, infelizmente, não contam ainda com modelos positivos no seu dia-a-dia devido à discriminação e ao preconceito.

A comunicação social e os média desempenham um papel importantíssimo nesta área, tendo o direito e o dever de retratar e noticiar, sem medo ou preconceito, mas com respeito e verosimilhança, as histórias desta camada da população, honrando e apoiando todos aqueles que ainda sofrem constantemente pelo preconceito direccionado pela sua orientação sexual ou identidade de género.

A omissão de personagens LGBT e de cenas que retratem o dia-a-dia destas pessoas, com dúvidas e receios tão legítimos quanto os de seus pares heterossexuais, e que fazem parte da vida de milhares de jovens no nosso país, é absolutamente preocupante, descaracteriza a série em relação à sociedade que pretende retratar e isola muitas crianças e adolescentes que encontram um sinal positivo na história das personagens Nuno e Fábio e na aparente legitimidade que a TVI confere à mesma, revelando-se afinal discriminatória e incapaz de respeitar as vivências destes jovens no seu todo.

Esta decisão reduz a existência e os sentimentos destes adolescentes e propicia a invisibilidade, veiculando a ideia de que são menos dignos que os seus pares heterossexuais, sentimentos e pensamentos que levam à instabilidade emocional e que poderão expressar-se no maior isolamento, insegurança, repressão, desrespeito próprio, auto-mutilação, tentativa e ideação de suicídio, como tem sido recentemente documentado.

Vivemos numa época em que estão reunidas todas as condições para o apoio e o respeito às pessoas LGBT, e estamos certos/as que a sociedade portuguesa está mais do que preparada para assistir às imagens desta história de amor, que afinal é igual a tantas outras. Pedimos que não deixem de participar e de contribuir de forma positiva para esta educação de mentalidades, repondo a cena cujo cancelamento representa uma infracção das normas nacionais e internacionais dos direitos humanos e um sinal triste de retrocesso civilizacional.

Melhores cumprimentos

Comigo não brincam

Ora vede lá se isto...



... não é igual a isto:

Bora lá dizer isto mais de-va-gar-inho ver se Ministério e IPS percebem: Homossexualidade não é sinónimo de comportamento de risco!



Na sequência desta notícia do JN de ontem, dizendo:

"O Ministério da Saúde não vai adoptar medidas contra a exclusão de homossexuais e bissexuais na doação de sangue, que constavam numa recomendação do Bloco de Esquerda, aprovada no Parlamento por várias bancadas, inclusive pelos deputados socialistas"

As organizações AMPLOS, ATTAC, Ilga Portugal, Médicos pela Escolha, Não te prives, Panteras Rosas, Poly Portugal, Portugal Gay, Rede Ex Aequo, SOS Racismo e UMAR , lançaram hoje um comunicado

Deixo aqui a parte final:

"Por que motivo(s)? Não percebemos nem aceitamos que tal volte a acontecer. Já são demasiados anos em volta deste folhetim interminável que só acentua o preconceito e a desigualdade em volta das pessoas LGBT. Não se pode, por um lado, aprovar medidas que visem a promoção da igualdade e, por outro, perpetuar uma discriminação sem qualquer fundamento que põe de lado milhares de potenciais dadores quando existe sempre necessidade de sangue. Os avanços e recuos verificados nesta matéria somente contribuem para o aumento do estigma em relação às pessoas homossexuais que em nada favorece uma sociedade que se quer livre, inclusiva e democrática.
Deverão ser os comportamentos de risco a determinar a exclusão da doação de sangue, sejam homens ou mulheres, homossexuais ou heterossexuais e não outro qualquer factor arbitrário e discriminatório que parte de pressupostos estereotipados.
A homossexualidade não é sinónimo de comportamentos de risco, tal como a heterossexualidade não é garantia da sua ausência! Quantas vezes teremos que o dizer?
Nem a ciência, nem as estatísticas, nem os princípios da não discriminação e da igualdade justificam tal comportamento por parte do Ministério da Saúde pelo que exigimos, por isso, a adopção urgente das medidas solicitadas na Resolução adoptada na AR".

Sarkosy: A guerra na ponta da língua

Interessante artigo do Le monde fazendo uma breve análise da retórica sarkosyana. Ele é a guerra à delinquência, ele é a guerra aos traficantes, ele é a guerra aos jovens desordeiros dos bairros sociais, ele até é a guerra ao absentismo escolar,e por aí em diante.
O artigo acaba dizendo:

"La France s'est engagée dans une guerre sans merci contre la criminalité (declarações de Sarkosy). Une guerre qui dure depuis huit ans, et ne semble pas terminée".

O problema

é que à Tina, espera-lhe uma relação estável com pancada de meia-noite todos os dias.

Porreirismo e educação sexual

A amiga Andrea Peniche enviou-me há dias dois ou três exercícios de educação sexual, para o 1º ciclo, prescritos num manual patrocinado pela sagrada Associação de Planeamento Familiar. Entre outras coisas, consistiam, em sala de aula, na exposição dos corpos das crianças às mãozinhas dos colegas e no convite ao débito de sinónimos ordinários comummente atribuídos ao pénis e à vagina. Ora vede*:

Algumas notas:

1. O ensino da saúde sexual e reprodutiva é da máxima urgência na escola pública. Saúde sexual e reprodutiva não é sexualidade. Abordar, discutir e desconstruir o fenómeno sexual nas sociedades contemporâneas não é ensinar os meninos a pinar nem, por Deus, descomplexá-los.

2. A sexualidade é uma dimensão importante não apenas da vida social como da vida íntima e privada dos cidadãos. O facto de ser íntima e privada não significa que não seja política e não produza ou reproduza relações de poder. O facto de ser política e produzir ou reproduzir relações de poder não significa que deixe de ser íntima e privada. A escola pública não ensina nem certifica correcção ou competência sexual.

3. Estes joguinhos são graves, invasivos e perigosos. Não será preciso evocar Norbert Elias para se compreender a complexidade e ambivalência do estatuto do corpo na construção identitária. As crianças não se vêem? As crianças não se tocam? Sim e sim. Mas não é preciso enfiar um voluntário no meio da sala a bater uma para saber se já se vem (em que idade nos vimos, professora?) e desfazer o tabu da masturbação.

4. Trazer o calão para a sala de aula é admissível em dois contextos: na linguística e na poesia. Não é o caso. Cona e piça diz-se - e muito bem -, mas é lá fora.

5. A nossa sorte é que o Abominável César das Neves é grotesco e anedótico. É muito mais simples bater na ideia peregrina - mas muito bem imaginada - da ortodoxia do erotismo do que olhar criticamente para o que se faz na tecnocracia sexual da esquerda moderna. Custa sair do rebanho, não é?

*Os comentários esferografados são de autoria, naturalmente, suspeita. Mas a letra é de merceeiro.