Eu sou do tempo em que Passos Coelho respondia com sinceridade às queixas do povo piegas, em vez de fingir compreensão para contrastar com as fugas de Cavaco.
os outros
os outros vivem acima das suas possibilidades. Na sua pequenês invejosa, vão ao ponto de dizer que não devíamos acumular o salário milionário com a pensão milionária que merecemos.
Nós, especiais, vivemos ao nível da nossa competência. gerimos-lhes as vidas como quem gere a sua própria empresa. E ainda se queixam.
Franchising...
O mundo dos negócios e as deslocalizações
A austeridade é só gargantas
Caso para dizer que a austeridade é só gargantas...
O discurso irregular sobre as contas dos partidos
Sobre estas irregularidades andou sempre à solta muita demagogia que fazia equivaler a menor das irregularidades à maior das trafulhices. Sobre isto não basta o comentário ligeiro e teremos de entrar no detalhe de que tipo de irregularidades se trata e porque foram cometidas. E se quisermos aprofundar a democracia será preciso um debate sobre financiamento dos partidos e regras de controlo das suas contas onde é preciso bem mais do que um discurso irregular de denúncia.
Por tudo isso, tenho dificuldade em entender a quantidade de ligações que amigos/as meus/minhas do Bloco de Esquerda fizeram a estas notícias tirando daí uma lição de superioridade moral face aos outros partidos. Julgo que a memória selectiva não cai bem. Até porque, se alguma vez voltar a haver irregularidades nas contas do Bloco de Esquerda, que irão então dizer? Que afinal os partidos são todos iguais ou aí já haverá algum espaço para nuances?
Letargia/liturgia da vida fácil
Ligou o aparelho à hora certa. Não porque fosse obrigatório mas porque sentia que o era. O aparelho teimava em não o surpreender seguindo a mesma liturgia/letargia: continuava a jurar a pés juntos que tinha vivido acima das suas possibilidades e agora tinha de pagar por isso, que ia empobrecer merecidamente e tinha de ser mesmo assim.
Sabia que afinal o aparelho lhe gritava: a culpa é tua! Aceitaste o crédito fácil, quiseste ter casa, quiseste ter férias, quiseste ter educação, saúde, quiseste ter tudo.
Pouco depois, sempre sem espaço para qualquer surpresa, chegava a vez dos incitamentos entusiasmados: devia ir embora lá para fora onde ainda se vivia com muito; devia ir para o campo onde se vivia com pouco mas feliz; devia seguir os exemplos gloriosos que exibiam criatividade: o empreendedor e o poupadinho. Claro que sabia que era impossível ao mesmo tempo ser empreendedor e poupadinho, empobrecer e enriquecer, ir para fora e ir para o interior. Sabia que isso afinal era o aparelho que lhe continuava a gritar: a culpa é tua! Não és suficientemente dinâmico para conseguires sair, nem para conseguires ficar bem, para conseguires inovar, para conseguires investir, para conseguires poupar. Para conseguires.
Quebrar a letargia da vida fácil
A mensagem do aparelho fazia caminho a cada dia. Fácil mesmo seria aceitar a sua mensagem da vida fácil. E facilitar-se-ia tanto a vida ao aparelho ao interiorizar-se a culpa…
A vida fácil do aparelho era o futuro de um país em que imigrasse quem pudesse chatear porque queria mais qualquer coisa da sua vida do que seria permitido e ficasse quem aceitasse ser pobre.
A vida fácil do aparelho era o futuro de um país em que o trabalho não tivesse direitos, em que o salário fosse tão baixo que não se consumisse quase nada por causa da balança comercial.
A vida fácil do aparelho era que essa balança fosse a receita da anorexia da maioria.
A vida fácil do aparelho era o futuro de um país pobre e com uma indústria massiva de caridade.
A vida fácil do aparelho era uma retórica antiga da pobreza decente abrindo porta, aberta ou veladamente, para a emigração.
A vida fácil do aparelho era o futuro de um mundo em que o aparelho seria a voz única que nos embalaria na sua letargia fácil. E até quando o desligássemos haveria de ser o eco da sua voz que continuaríamos a ouvir.
E, contudo, sentia algo que impelia a sair da vida letargia. Talvez a secreta esperança de derrubar a ditadura dessa difícil vida fácil.
Rijo
“O que não mata enrijece?” O filósofo Christopher Hitchens morreu. Uma notícia mais do que esperada já que fez da luta contra o cancro um tema de reflexão pública. Nas vésperas de morrer deixou uma reflexão sobre a dor e sobre a denegação contida na frase que se tornou senso comum: “o que não mata enrijece”. Pretendia “estar completamente consciente e acordado, para “fazer” a morte num sentido activo e não passivo” e desiludiu quem espera que deixasse cair o seu ateísmo em face da morte.
Terminou este texto escrevendo: “até agora, decidi aguentar o que quer que seja que a minha doença me atire e permanecer combativo até enquanto tomo conta do meu inevitável declínio. Repito, isto não é mais do que o que uma pessoa saudável tem de fazer em câmara lenta. É o nosso destino comum. Em qualquer caso, contudo, podem-se dispensar as máximas fáceis de que não estão à altura da sua facturação aparente.”
Acabou teimosamente a enunciar um programa filosófico. Foi lúcido e rijo até ao fim.
Desamarras - Rostos do Rendimento Social de Inserção no Porto
Para que serve o Rendimento Social de Inserção?
Financia a preguiça ou é uma medida socialmente útil e indispensável?
Que problemas e questões se levantam na vida de quem dele beneficia?
Estas são algumas das suas vozes.
Realização e produção de João Carlos Louçã, Nuno Moniz, Ricardo Sá Ferreira, com a colaboração de esquerda.net.
Projeção e debate:
Setúbal, dia 15 dezembro às 21h30 na Prima Folia, com Isabel Guerra.
Lisboa, dia 21 dezembro às 21h30 na Ler Devagar/Lx Factory, com Renato Miguel do Carmo.