
Fora os delírios que não convencem senão os que já estão convencidos, um tipo de argumento contra este tipo de medidas de liberalização da vida privada é especialmente inquietante: o demográfico. Se consigo perceber o argumentário assente numa posição moral de defesa da vida contra o aborto, por exemplo, mais difícil de engolir é a patranha de que os projectos de vida das pessoas devem estar sujeitos à prossecussão de um desígnio nacional. Não falo da ridícula afirmação de que os portugueses estão em vias de extinção mas da ideia que suporta este argumento e que repetidamente é invocada. É uma ideia que esquece por completo que barrar os caminhos do divórcio, das uniões de facto, do aborto, do casamento e da procriação medicamente assistia é sentenciar pessoas à infelicidade. Esta é uma sentença que obrigou mulheres a sujeitar-se a situações insuportáveis de violência, que obrigou pessoas a viverem o seu amor na marginalidade. É uma sentença que não pode ser decretada em nome da demografia. É uma sentença estúpida defendida por este imbecil que ainda tem a lata de falar em monstros.
2 comentários:
Diogo,
"É uma ideia que esquece por completo que barrar os caminhos do divórcio, das uniões de facto, do aborto, do casamento e da procriação medicamente assistia é sentenciar pessoas à infelicidade."
Depreende-se deste seu argumento que não deve haver condições para a prossecução da liberdade individual a não ser o próprio consentimento do/s sujeito/s envolvido/s.
Nesse caso, os unicos critérios aceitáveis para o julgamento de determinada opção ou comportamento são meramente utilitários. Seguindo esta lógica, o estado não teria qualquer base para negar ao indivíduo o direito ao suicídio, ou a um tipo de eugenismo que contemplasse a escolha das características físicas dos filhos por catálogo, ou ao casamento poligâmico, e por aí adiante.
Note que apenas estou a dizer que a felicidade individual, ou seja, o consentimento esbarra inevitavelmente em condições estipuladas pela comunidade. A tarefa é compreender, através de uma discussão que foge necessariamente a uma dimensão meramente prática ou utilitária e se situa no plano ético, se essas condições têm ou não razão de ser.
Cumprimentos
RELATIVISMO MOVEDIÇO:O argumento principal que os relativistas tentam usar é o da tolerância. Eles afirmam que dizer a alguém que sua moralidade é errada é intolerante, e relativismo tolera todas as posições. Mas isso é simplesmente um engano. Antes de tudo, o mal nunca deve ser tolerado. Devemos tolerar o ponto de vista de um estuprador de que mulheres são objetos de gratificação a serem usadas? Segundo, esse argumento se destrói porque relativistas não toleram intolerância ou absolutismo. Terceiro, relativismo não pode explicar porque qualquer pessoa deve ser tolerante em primeiro lugar. O fato que devemos tolerar pessoas (mesmo quando descordamos) é baseado na regra absoluta moral que devemos sempre tratar as pessoas justamente – mas isso é absolutismo de novo! Na verdade, sem princípios universais morais, a bondade não pode existir. www.gotquestions.org -
Postar um comentário